

O mais recente levantamento
realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que a
cidade de Itabaiana, na região Agreste de Sergipe, é o município brasileiro
onde foi registrado o maior índice envolvendo Mortes Violentas Intencionais
(MVI). Líder no ranking negativo, ao atingir a taxa de 75,6%, Itabaiana acumula
quase 10% de vantagem para a cidade de Santos/SP, onde este índice marcou
66,1%. Sobre as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP), Itabaiana
também surge negativamente no cenário nacional, ao ocupar a segunda posição no
ranking geral com 28,6%.
O cenário da cidade serrana contrapõe aos resultados
obtidos em Sergipe – no contexto geral, devido a redução de 24,5% nas mortes
violentas intencionais. O estado apresentou uma diminuição de 19% no número de
homicídios dolosos. Também responsável pela Segurança Pública, o prefeito de
Itabaiana Valmir de Francisquinho não se manifestou sobre o assunto. Já o
Governo de Sergipe avaliou que este levantamento acontece em um contexto de
queda acentuada da violência na cidade. Os homicídios caíram de 100 em 2016
para 10 em 2024, uma redução de 90%.
Ainda de acordo com a SSP, o cenário é resultado
do trabalho integrado das forças de segurança, com foco em inteligência, ação
contínua e protocolos voltados à preservação da vida. Os dados foram tornados
públicos no início da manhã de ontem em todo o país. Os pontos preocupantes
estão atrelados ainda ao crescimento nos casos de feminicídio (mortes de
mulheres pelo fato de serem mulheres) e nas mortes de crianças e adolescentes
em 2024. Nacionalmente as mortes violentas de crianças e adolescentes de até 17
anos cresceram mais: 4%. Foram 2.356 vítimas. A alta quebra uma tendência de
queda que vinha desde 2020.
Segundo o Fórum, a alta foi puxada pelas mortes de
adolescentes em intervenções policiais. Em 2023, elas representaram 17% dos
assassinatos de adolescentes. Em 2024, essa fatia passou para 19%. O Brasil
teve 1.492 feminicídios em 2024, maior número desde 2015, quando a legislação
brasileira passou a definir esse crime, e uma alta de 1% em relação a 2023. A
maior parte das vítimas de feminicídio em 2024 era mulher negra (64% das
vítimas), tinha 18 e 44 anos (70%), foi assassinada dentro de casa (64%), por
um homem (97%), pelo companheiro ou ex-companheiro (80%), e foi morta por uma
arma branca (48%), como uma faca, por exemplo.
O Fórum destaca que ao menos 121 das mulheres
mortas em 2023 e 2024 estavam sob medida protetiva no momento do assassinato –
só em 2024, cerca de 100 mil dessas ordens foram descumpridas, de acordo com o
levantamento. O JORNAL DO DIA segue concedendo direito de resposta para a
Prefeitura de Itabaiana, caso haja interesse por parte da atual gestão pública.
Nesta quinta-feira, 24, o Comando Geral da Polícia Militar divulgou um
levantamento sobre as atividades desenvolvidas no primeiro semestre deste ano
em todos os 75 municípios sergipanos.
Pelo coronel Alexsandro Ribeiro foi informado que
entre os dias 1º de janeiro e 30 de junho foi constatada uma redução de 22,75%
na taxa de homicídios. Foram registrados 163 casos, número significativamente
menor que os 264 de 2023 e os 211 de 2024 se comparado ao mesmo período. Houve
ainda redução nos crimes contra a vida, a PMSE registrou 3.041 prisões em
flagrante a partir de 6.004 ocorrências, com destaque para o combate à
violência doméstica (1.398 casos pela Lei Maria da Penha) e ao tráfico de
drogas (359 registros). O período noturno e os finais de semana concentraram o
maior volume de ações.
Fonte: Itabaiana é o município mais violento do país - Jornal do Dia