

Uma denúncia feita pelo vereador Whorton Leon, o Dr. Léo (PT), de Laranjeiras, ganhou grande repercussão nas redes sociais e trouxe à tona a situação enfrentada por uma idosa de 97 anos, cadeirante, moradora do povoado Mussuca.
Em publicação em seu Instagram e também durante pronunciamento na Câmara Municipal, o parlamentar afirmou que a paciente necessita de acompanhamento contínuo e vem sofrendo pela falta de atendimento domiciliar através do Programa Melhor em Casa.
Segundo Dr. Léo, a situação é ainda mais preocupante porque a idosa precisa ser levada mensalmente à unidade de saúde pela própria filha, uma senhora de 68 anos, que, mesmo também sendo idosa, precisa empurrar a cadeira de rodas da mãe pela ladeira da Mussuca para que ela possa receber atendimento e medicação.
O vereador classificou o caso como um exemplo de falta de humanização na saúde pública e cobrou providências urgentes da Secretaria Municipal de Saúde e da gestão municipal.
“É preciso priorizar quem mais precisa. Antes de produzir vídeos em busca de likes, a Secretaria deve resolver os problemas da saúde e cuidar das pessoas, especialmente dos nossos idosos, que merecem respeito, dignidade e atenção”, declarou o parlamentar.
Dr. Léo afirmou ainda que continuará acompanhando o caso e cobrando uma solução imediata para a família.
Prefeitura apresenta esclarecimentos
Após a repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou uma nota afirmando que a paciente é acompanhada regularmente pela Unidade Básica de Saúde e que a aplicação da medicação Benzetacil não pode ser realizada em domicílio, devido aos riscos de possíveis reações adversas.
A gestão também informou que, caso a unidade tivesse sido comunicada previamente sobre a necessidade de deslocamento da paciente, um transporte poderia ter sido disponibilizado.
Sobre o pedido de inclusão da idosa no Programa Melhor em Casa, a Secretaria explicou que a paciente não se enquadra nos critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, uma vez que o programa é destinado, prioritariamente, a pacientes em recuperação após alta hospitalar e que necessitam de acompanhamento domiciliar temporário.
Por fim, a Prefeitura afirmou que a assistência à paciente continua sendo prestada pela rede municipal de saúde dentro das normas do Sistema Único de Saúde (SUS).
O caso levanta debate sobre humanização
Apesar dos esclarecimentos técnicos apresentados pela Secretaria, a situação vivida pela família reacendeu o debate sobre a necessidade de alternativas humanizadas para pacientes idosos e com dificuldades de locomoção.
A imagem de uma mulher de 68 anos empurrando, todos os meses, a cadeira de rodas da própria mãe, de 97 anos, em uma subida no povoado Mussuca, gerou forte comoção e levantou um questionamento entre os moradores de Laranjeiras:
Mesmo diante das limitações das normas e programas federais, não poderia o poder público encontrar uma solução para garantir mais dignidade a uma idosa de 97 anos?